Eu não acho ruim as vezes sentir aquela coisa triste dentro de mim, eu convivo com esse sentimento desde sempre e qdo ele não vem eu estranho, e isso faz eu ser quem sou, eu acho. Não que eu seja uma pessoa triste, só não me agrada ficar rindo como uma boba sem motivo para tal, eu brinco, mas tem horas que quero ficar quieta, e as pessoas que falam comigo se parecem com ventríloquos, vejo a boca do "boneco" mexer, mas o som é todo o barulho do ambiente, e começo a passear por esse "silêncio" que eu invento pra me salvar. Técnica boa!
Risos... e gostar de Clarice Lispector não significa que vou me matar hoje ou amanhã, significa que gosto da maneira como ela escrevia sobre alguns fatos.
Aliás segue aí um trecho de Clarice que gosto muitooooo, e que me identifico pois em certos momentos me sinto exatamente igual ao que ela diz.
A Lucidez Perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum, é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise, estou por assim dizer, vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano -já me aconteceu antes. Pois sei que -em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.
Clarice Lispector
- Mudando de assunto, fui todos os dias no Anima Mundi, e devo dizer que as cadeiras eram horríveis, e eu não conseguia achar a posição certa, e eles terem cobrado o ingresso tb foi ruim, entre várias coisas, tiveram alguns curtas bons. Foi isso.